O avanço do mercado regulado de carbono no Brasil coloca a indústria diante de uma decisão urgente: como dividir internamente o limite de emissões que será imposto ao setor. Segundo análise de Ana Luci Grizzi, o Plano Clima já definiu um “orçamento de carbono” para a indústria até 2035, mas ainda não estabeleceu como essa cota será distribuída entre empresas e segmentos.A definição deve ocorrer com a regulamentação do mercado de carbono, que criará limites obrigatórios de emissão e um sistema de permissões negociáveis. Esse processo transformará metas agregadas em restrições concretas por instalação, afetando custos, investimentos e competitividade das empresas.O ponto central é que diferentes setores industriais têm perfis distintos de emissões e maturidade tecnológica, o que torna a divisão dessas cotas uma disputa econômica relevante. Caso o setor privado não se organize para propor critérios e soluções, a alocação será definida pelo governo, possivelmente sem refletir as especificidades de cada atividade.A avaliação é que 2026 será decisivo, com a regulamentação prevista para avançar e transformar a agenda climática em obrigações práticas. Nesse contexto, a indústria precisa agir rapidamente para influenciar as regras do jogo e evitar impactos negativos sobre sua competitividade no processo de descarbonização.