Rodrigo Amoroso

Todos os dias, a maioria dos produtores rurais liga o celular e vai em busca das mesmas variáveis: previsão do tempo, preço das commodities, preço dos insumos e crédito. Variáveis importantes, sem dúvida e sempre foram. São elas que definem se vale a pena plantar, colher, vender, investir ou se é melhor esperar. Mas acabamos esquecendo de uma obviedade: elas não estão sob o nosso controle.
A chuva que vem em excesso ou falta não escolhe a fazenda ou o produtor (mesmo sabendo que “este foi um ano atípico”). O preço das commodities não muda sob o nosso comando e o custo do crédito não é exclusivo desse ou daquele produtor.
Bom, mas se isso é verdade – e sabemos que é –, por que vemos produtores crescerem, enquanto outros apenas sobrevivem e alguns começam a perder viabilidade? O que poderia explicar resultados tão diferentes?
Durante muito tempo, funcionou a lógica de produzir melhor e executar bem para ganhar mais e poder crescer. Isso bastava. O problema é que o ambiente mudou e apesar de a produção e a execução continuarem fundamentais, elas não resolvem mais o problema sozinhas.
As margens ficaram apertadas, o capital mais caro, o mercado mais volátil e tudo isso junto leva a uma menor tolerância (ou resiliência) ao erro. O que começa a determinar o resultado não é apenas o que acontece na lavoura, mas a forma como você toma as suas decisões. Saber quando travar preço, expandir ou adotar uma nova tecnologia está relacionado ao nível de risco que estamos dispostos a assumir, ou, melhor dizendo, que o nosso negócio consegue suportar.
Nosso AGRO é fantástico na produção, mas, infelizmente, costuma tratar a gestão, processos e estrutura de decisão como algo secundário, frequentemente vistos como burocracia e engessamento. Aqui temos um ponto central: a maioria das decisões ainda é tomada de forma empírica, baseada na experiência, intuição e histórico. Só que essas referências foram construídas em um ambiente diferente do atual, e o que funcionava antes agora parece que nem sempre se encaixa.
O produtor não ficou menos competente; é o contexto que deixou de perdoar e as margens cada vez mais apertadas não deixam espaço para absorver erros. O que está mudando nesse caso é a exigência sobre como decidir dentro desse novo cenário.
Se o ambiente é igual para todos, o resultado passa a ser consequência direta da forma como cada um toma suas decisões, e isso ainda não foi totalmente reconhecido. Decidir não é um momento ou uma ação isolada e pontual, é um processo e, como todo processo crítico, exige método, estrutura e disciplina. A intuição como base do processo decisório deixou de ser suficiente; decidir de forma estruturada passou a ser uma etapa extremamente importante e definidora no processo produtivo. Foto: Canva. Conteúdo especial para o Cana Clipping.
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Rodrigo Amoroso é executivo com mais de 20 anos de experiência no agronegócio, Engenheiro Agrônomo com MBA em Agribusiness pela UFSCar e FGV e conselheiro certificado pelo IBGC. Atuou como COO e diretor em empresas do setor sucroenergético e em novos negócios ligados à bioeconomia. Atualmente é professor convidado na Harven Agribusiness School e atua apoiando produtores e empresas do agro na organização da gestão, estruturação do negócio e melhoria da tomada de decisão. Contato: rodrigoamoroso2@gmail.com. Tel.: (19) 97122-4340.