O mercado regulado de carbono no Brasil entra em um momento decisivo com a estruturação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões, passando de agenda institucional para variável econômica concreta. A etapa atual define como será formado o preço do carbono — fator que impactará diretamente custos, competitividade e acesso a financiamento para empresas. As discussões apontam para um modelo híbrido, combinando emissões industriais com ativos florestais, especialmente via REDD+. A proposta pode ampliar rapidamente a oferta de créditos ao permitir que ativos já existentes entrem no mercado, ajudando a gerar liquidez inicial. Outro eixo central é a criação de regras robustas de monitoramento, relato e verificação (MRV), fundamentais para garantir credibilidade. No mercado global, dúvidas sobre a qualidade dos créditos têm pressionado preços para baixo, o que torna a governança um fator-chave para evitar deságio. O Brasil também aposta em maior descentralização, com participação de estados e projetos regionais, o que amplia o potencial de escala, mas eleva a complexidade regulatória. O resultado será um equilíbrio delicado: o país pode capturar valor relevante no mercado global de carbono ou enfrentar descontos se não garantir confiança nos ativos. A definição dessas regras até 2026 será determinante para estabelecer quanto valerá o carbono brasileiro e qual será o papel do país na nova economia climática. Foto: Canva. Fonte: Eixos.