Análise Cana Clipping

O fortalecimento do mercado de trabalho está ajudando a sustentar o consumo das famílias brasileiras em 2026, mesmo em um cenário de juros elevados. No trimestre encerrado em abril, a taxa de desemprego ficou em 5,8%, abaixo dos 6,6% registrados um ano antes, enquanto o rendimento real habitual chegou a R$ 3.732, alta de 5,3% em relação ao mesmo período de 2025. A massa de rendimentos também avançou, alcançando R$ 377 bilhões, crescimento de 6,5% em um ano. O efeito sobre o consumo já aparece nas contas nacionais: segundo o Banco Central, o consumo das famílias cresceu 1% no primeiro trimestre, depois de dois trimestres praticamente estáveis, impulsionado pela expansão da renda disponível, pela massa de rendimentos do trabalho e pelos benefícios sociais. O reajuste do salário mínimo e as mudanças no Imposto de Renda para as faixas iniciais também contribuíram para ampliar a renda disponível. No varejo, essa combinação se refletiu em novo recorde histórico do volume de vendas em março, quando o comércio cresceu 0,5% sobre fevereiro, renovando o recorde da série iniciada em 2000; na comparação anual, as vendas avançaram 4%. O quadro sugere que, em 2026, o consumo está sendo sustentado principalmente pelo chamado efeito-renda: mais pessoas ocupadas e salários reais maiores colocam mais dinheiro em circulação e compensam parcialmente o efeito negativo dos juros elevados sobre o crédito. É um movimento relevante para a economia brasileira, porque mostra que a melhora do mercado de trabalho não está apenas reduzindo o desemprego, mas também ampliando a capacidade de consumo das famílias e dando sustentação à atividade econômica. Foto: Canva. Fontes: IBGE e Banco Central.