Uma pesquisa global da McKinsey com 5.500 agricultores de dez países mostra uma mudança importante no comportamento do produtor rural: diante de margens pressionadas, custos elevados e maior incerteza econômica e climática, os agricultores estão adiando gastos, preservando caixa e exigindo retorno mais rápido dos investimentos. O levantamento, realizado entre abril e julho de 2026, aponta que a intenção de aumentar os gastos caiu em praticamente todos os países pesquisados, com recuo especialmente forte na Argentina, Canadá, Índia e Brasil. Ao mesmo tempo, os produtores continuam abertos à inovação quando ela resolve problemas concretos e demonstra retorno econômico. Um dos movimentos mais rápidos é o avanço da inteligência artificial generativa: 17% dos agricultores já utilizam IA para tarefas relacionadas à atividade rural, embora apenas 4% paguem por essas soluções. A adoção é maior na América Latina e na América do Norte. Os biológicos também avançam: mais da metade dos produtores de culturas especiais já utiliza algum tipo de produto biológico, enquanto entre os produtores de grãos as taxas globais são de 36% para biocontroles e 43% para bioestimulantes. O estudo mostra ainda uma mudança na forma de decisão de compra: a influência dos vendedores caiu 11 pontos percentuais globalmente, enquanto os agrônomos continuam sendo uma das principais fontes de confiança para 56% dos agricultores. Apenas 6% consideram ferramentas de IA ou buscas com IA como fontes confiáveis para decisões de compra. O quadro indica que o produtor não está rejeitando tecnologia, mas se tornou mais seletivo: inovação, equipamentos e insumos precisam demonstrar valor econômico, adequação às condições locais e retorno suficientemente rápido para justificar o investimento. Para as empresas do agronegócio, a mensagem da pesquisa é clara: em um ambiente de maior volatilidade, ganhar mercado dependerá cada vez mais de provar ao produtor onde está o valor da tecnologia ou do produto oferecido. Foto: Canva. Fonte: Forbes.