Análise Cana Clipping
O mercado de trabalho brasileiro apresenta uma taxa de desemprego próxima da média registrada nos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Em julho, a taxa média da OCDE caiu de 5,0% para 4,9%, o menor nível em um ano e próxima do mínimo histórico de 4,8% registrado em junho de 2023. O Brasil, que não é membro da organização e, portanto, não entra no cálculo da média, registrou taxa de desocupação de 5,3% no trimestre encerrado em julho, segundo o IBGE.
A comparação mostra, porém, diferenças importantes entre os países. Algumas das menores taxas de desemprego da OCDE são encontradas em economias como Japão, México, Alemanha e Polônia, enquanto países como Espanha, Colômbia, Grécia e Turquia apresentam índices significativamente superiores. Estados Unidos e Reino Unido estão em uma faixa próxima à média da organização, enquanto França e Itália permanecem acima dela. Os dados da OCDE mostram, portanto, que a média de 4,9% esconde situações bastante diferentes entre seus 38 membros.
No Brasil, a trajetória recente também é positiva. A taxa de desemprego caiu de 5,8% no trimestre encerrado em abril para 5,3% em julho e ficou abaixo dos 5,6% registrados no mesmo período de 2025. O número de desocupados chegou a 5,8 milhões, enquanto a população ocupada alcançou 103,3 milhões de pessoas, o maior contingente da série histórica iniciada em 2012. O número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado também bateu recorde, chegando a 39,4 milhões.
A comparação sugere que o mercado de trabalho brasileiro atravessa um período de forte sustentação, apesar do ambiente de juros elevados. O país ainda está ligeiramente acima da média da OCDE, mas a distância é pequena: 5,3% contra 4,9%. Mais importante que a diferença de 0,4 ponto percentual é a trajetória: tanto no Brasil quanto no conjunto das economias da OCDE, o desemprego permanece em níveis historicamente baixos.
Há, entretanto, uma diferença metodológica que precisa ser considerada. A OCDE divulga uma taxa mensal de desemprego, enquanto o IBGE calcula a taxa brasileira com base em um trimestre móvel da Pnad Contínua. Portanto, os indicadores não representam exatamente o mesmo período de referência e não devem ser tratados como uma comparação estatística perfeita. Ainda assim, a proximidade dos números ajuda a dimensionar a força atual do mercado de trabalho brasileiro.
Para a economia brasileira, o desafio agora é transformar o baixo desemprego em ganhos duradouros de produtividade, renda e formalização. O número de ocupados é recorde, mas a informalidade ainda representa uma parcela significativa do mercado de trabalho. O cenário combina, assim, um ponto positivo — a forte capacidade de geração de ocupação — com o desafio de melhorar a qualidade e a produtividade desses empregos.
Foto: ANeto. Fonte: OCDE, IBGE e Broadcast.