O custo anual dos juros da dívida rural brasileira saltou de R$ 34 bilhões, em 2021, para R$ 99 bilhões, em 2025, uma alta real de 191%, segundo estudo do Cepea/Esalq-USP. No mesmo período, a taxa média das novas operações de crédito rural para pessoas físicas passou de 6,3% para 12,2% ao ano. O encarecimento do financiamento, somado à redução das margens de rentabilidade, contribuiu para elevar a inadimplência a 9,69% em agosto de 2026, maior percentual da série histórica do Banco Central, iniciada em 2011. O problema é mais intenso nas operações contratadas a taxas de mercado, cuja inadimplência chegou a 17,6%, contra 3,8% nas linhas com juros controlados. A pressão é particularmente forte na produção de grãos: entre 2021 e 2025, os preços reais do segmento caíram 28%, enquanto a renda agrícola recuou de R$ 599 bilhões para R$ 539 bilhões. Em agosto de 2026, a carteira problemática do crédito rural já somava R$ 205 bilhões, equivalente a 23,8% do total financiado. Para os pesquisadores, a solução exige diferenciar dificuldades temporárias de caixa de situações em que a renda do produtor já não comporta o endividamento acumulado. Foto: Canva. Fonte: CNN Brasil.