Saúde mental: precisamos falar sobre o assunto

Saúde mental: precisamos falar sobre o assunto

Eline Rasera

Muito se fala sobre saúde mental nas empresas, mas por que o tema ganhou tanta repercussão, especialmente no último ano? Ainda há quem trate o assunto como modismo ou como algo distante da realidade de determinadas organizações. Outros reforçam que o foco deve estar em resultados, lucratividade, tecnologia e desenvolvimento — e, de fato, esses elementos são essenciais para a sobrevivência de qualquer empresa.

A questão, porém, é: a que preço? Quanto custa o resultado? Se ele vier acompanhado do comprometimento da saúde mental e física de empresários e profissionais, esse custo se torna alto demais.

Essa conta não passou a ser observada apenas por profissionais da saúde, nem apenas por indicadores como absenteísmo, turnover ou passivos trabalhistas. O próprio sistema de saúde passou a sentir os efeitos. O aumento de diagnósticos como depressão, ansiedade, burnout e outros problemas físicos associados a ambientes de trabalho considerados tóxicos evidencia um cenário preocupante.

Com isso, cresce também o impacto econômico e social: profissionais produzem menos, afastam-se com maior frequência e o sistema de saúde se sobrecarrega. Ou seja, o custo do modelo atual de busca por resultados se tornou elevado demais.

Nesse contexto, surge a Lei 14.831, de 27 de março de 2024, que institui o Certificado Empresa Promotora da Saúde Mental no Brasil. A proposta é reconhecer organizações que adotam práticas efetivas de cuidado emocional e bem-estar, prevenindo o adoecimento mental e promovendo o equilíbrio entre vida pessoal e profissional.

Ao mesmo tempo, a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), base da segurança e saúde no trabalho no país, passa a reforçar a necessidade de gerenciamento de riscos ocupacionais, incluindo, de forma mais explícita, os riscos psicossociais. A nova redação entra em vigor em 26 de maio de 2026 e exigirá que fatores como estresse, assédio e sobrecarga de trabalho sejam considerados no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).

Mais do que uma exigência legal, trata-se de uma mudança de mentalidade. É preciso repensar o conceito de resultado e de produtividade. Investir em tecnologia, processos e qualidade continua sendo fundamental, mas não pode estar dissociado do cuidado com as pessoas.

Ao colocar a saúde mental no centro das decisões, ganham as empresas, os profissionais e a sociedade como um todo. Com a proximidade da entrada em vigor das novas exigências, o momento é de preparação e ação. Trata-se de uma oportunidade concreta de promover mudanças que fortalecem não apenas os negócios, mas o ambiente de trabalho e a qualidade de vida.

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Eline Rasera é bacharel em Psicologia e pós-graduada em Recursos Humanos pela FGV, especialista em Psicologia Organizacional pelo CRP e atuou por mais de 30 anos na área de Gestão de Pessoas em empresas de grande porte. Atualmente é consultora em treinamentos, processos de coaching, cultura de saúde mental e desenvolvimento de lideranças. Contato: eline.rasera@hotmail.com. Tel.: 19.9.8841.6699. Foto: Canva. Fonte: artigo especial para o Cana Clipping.

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