A Anistia Internacional afirmou que o mundo entrou em uma “nova era perigosa”, marcada pela erosão do multilateralismo e do sistema internacional baseado em regras. No relatório anual, a entidade aponta que grandes potências e atores globais têm enfraquecido normas internacionais, ampliando conflitos e reduzindo a proteção aos direitos humanos. Segundo a secretária-geral Agnès Callamard, o cenário atual representa não apenas desgaste gradual, mas um ataque direto às bases da ordem internacional. O documento destaca conflitos no Oriente Médio, como a guerra em Gaza e a escalada envolvendo Irã, EUA e Israel, como exemplos de violações e riscos humanitários crescentes. No Brasil, o relatório aponta avanços e retrocessos. Entre as preocupações estão o aumento da violência contra defensores de direitos humanos, especialmente indígenas e quilombolas, além de críticas a mudanças na legislação ambiental. Ao mesmo tempo, a organização reconhece redução recente da pobreza e da desigualdade no país. Globalmente, a Anistia também observa maior pressão sobre a sociedade civil, com restrições a organizações e repressão a protestos em diversos países. Apesar disso, destaca movimentos de resistência em várias regiões, indicando que a disputa entre retrocessos institucionais e mobilização social seguirá como um dos eixos centrais do cenário internacional. Foto: Canva. Fonte: DW.